Em 20 de setembro de 2025, no Campus Discernimentum, no bairro Cognópolis, em Foz do Iguaçu, aconteceu o evento Paz com a Natureza, atividade gratuita e multi-institucional, que celebrou o Dia Internacional da Paz e o Dia da Árvore, reunindo voluntários da Conscienciologia, membros da aldeia guarani Arapy e a comunidade local, em um movimento marcado pela integração, pela convivência e pela valorização do meio ambiente.
O encontro simbolizou o esforço conjunto entre instituições conscienciológicas e comunidades tradicionais, promovendo um espaço de diálogo e troca de saberes. A proposta central foi fortalecer laços entre diferentes culturas, sensibilizar para a importância da preservação ambiental e cultivar a paz em conexão direta com a natureza.
O evento em Foz do Iguaçu buscou unir esses dois marcos em uma única celebração, destacando a relação profunda entre a construção da paz e a preservação da vida no planeta, pois no Brasil, o Dia da Árvore é comemorado em 21 de setembro, véspera da primavera. A data foi instituída para reforçar a consciência sobre a preservação do meio ambiente e incentivar práticas de cuidado com a natureza. No mesmo dia, comemora-se o Dia Internacional da Paz, estabelecido pela ONU em 1981, e representa um chamado mundial à fraternidade, à cooperação e à não violência.
As atividades foram iniciadas com um impressivo lanche holossensorial. Esse especial momento de acolhida estimulou o convívio entre participantes de diferentes origens e abriu espaço para a sensopercepção das energias, em sintonia com a proposta do evento.


Sandra Tornieri e Nerli Vieira fizeram breve explicação dos objetivos da experimentação propondo ao público fecharem os olhos e fazerem a conexão com as energias da Natureza (geoenergias, fitoenergias, aeroenergias, zooenergias, hidroenergias, cosmoenergias) e com as energias conscienciais, com lucidez, harmonia e pacificação íntima, buscando manter-se desse modo até o final do dia. Nas palavras de Sandra: “O lanche holossensorial teve o objetivo de favorecer a ampliação da autoconsciência quanto aos sentidos físicos e as percepções energéticas dos ambientes de Natureza; das relações entre as pessoas e os alimentos, a fim de promover a paz íntima, o bem-estar e a manutenção da saúde física, energética, emocional e mental. A iniciativa foi do Colégio Invisível da Sinaleticologia, e todos os parceiros, ICs e voluntários, foram convidados a contribuir com algum tipo de alimento, considerando os sabores: doce, salgado, azedo, amargo e umami, a fim de aguçar as percepções do paladar (com a degustação autoconsciente), do olfato (a percepção do aroma do alimento), do tato (a percepção da textura do alimento), da visão (a percepção das cores e formas dos alimentos) e as sensações físicas (sinais fisiológicos) e holossensoriais (energias dos alimentos e do ambiente)”.
Em seguida, os convidados tiveram a oportunidade de saber um pouco mais sobre o patrimônio histórico ligado ao campus. Foram compartilhadas histórias sobre Franz Kohlenberg, pioneiro da região, e sobre duas estruturas do campus: a Torre do Relógio e a Casa Maria Bubiak, marcos da memória local que simbolizam a integração entre passado e presente.
Durante a manhã, a programação seguiu com a caminhada na Via Forestalis, trilha ecológica do Campus Discernimentum. Organizada pela Paraecologicus, a atividade incluiu práticas bioenergéticas, visita à composteira do campus e o plantio de árvores nativas, simbolizando o compromisso coletivo com a sustentabilidade e a regeneração ambiental.








“Foi realizado o plantio de 50 árvores frutíferas nativas da nossa região. Na época fizemos o parassensoriamento para identificar a área degradada carente de plantas nativas a fim de destinar o plantio das mudas doadas pelo viveiro da Itaipu. 20 dias antes do plantio foram providenciados os berços, feita a adubação e correção do solo, providenciada a irrigação adequada e adotadas medidas de proteção contra formigas cortadeiras. As espécies escolhidas foram a palmeira Jussara; sete-capotes; cereja; pitanga; uvalha; guavirova; jabuticaba e aroeira vermelha. Todas produzem frutos apreciados pela fauna nativa e pelas pessoas.”, explica Elisson Pauletti.
À tarde, foram realizados os jogos paraecológicos, uma metodologia interativa voltada à reflexão sobre a relação entre consciência e ecossistemas, particularmente a intraconsciencialidade e o meio. As dinâmicas estimularam o raciocínio, a cooperação em grupo, a atenção, a observação detalhista e a percepção ampliada sobre o impacto da responsabilidade sobre os resíduos no ambiente. Além disso, os participantes fizeram exercícios voltados à reestruturação pensênica, correlacionando-os com a cultura, a linguagem, a paragenética e os hábitos inconscientes.
Na sequência, aconteceu a cinematografia paraecológica, atividade em parceria com a Comunicons, com a exibição do filme Dias Perfeitos. Após a sessão, houve debate no qual se discutiram os vínculos entre o ser humano, a rotina urbana, o estado de pacificação íntima e o meio natural. Essa etapa ampliou a reflexão sobre como pequenas escolhas cotidianas podem contribuir para a construção de uma cultura de paz e sustentabilidade.
Presença da aldeia Arapy
Um dos pontos altos do evento foi a participação da aldeia Arapy, comunidade indígena guarani localizada em Foz do Iguaçu, nas proximidades da Cognópolis. A aldeia é reconhecida pela promoção da Semana Cultural Indígena, oferecendo regularmente vivências em trilhas, apresentações de coral, arco e flecha, além da venda de artesanato e culinária típica.
Durante o evento Paz com a Natureza, os representantes da aldeia compartilharam aspectos de sua cultura, como os usos de plantas medicinais, a conexão com a natureza pela música, a educação dos jovens, fortalecendo o diálogo entre tradições ancestrais e abordagens conscienciológicas contemporâneas. Essa troca ressaltou a valorização da interculturalidade como caminho para a pacificação e o aprendizado interassistencial.





“A ideia de convidá-los surgiu a partir de uma série de sincronicidades envolvendo o projeto de revitalização da trilha Via Forestalis, em curso desde 2021. O campus Discernimentum é guardião da memória de representantes de povos que interagiram na região. A Torre do Relógio e a Casa de Cultura Bubiak são ícones da presença dos pioneiros de Foz do Iguaçu, marcando a presença de poloneses e austríacos na cidade. Ambas as construções evocam grupos e momentos históricos específicos, a exemplo da resistência pacífica às duas guerras mundiais do século XX. Entretanto, há outras memórias presentes, embora não materiais, como a presença histórica dos guaranis no território iguaçuense há mais de 2 mil anos. Pensamos que uma maneira de evidenciar essa presença seria instalando um ícone representativo dessa cultura na trilha. Afinal, a floresta é o meio onde sempre viveram”, destacou a voluntária Luciana Ribeiro, uma das organizadoras do encontro.

Luciana explica ainda: – “Para isso, em conversa com Isabela Colares e outros voluntários, chegamos à conclusão de que a melhor forma seria perguntar a eles como gostariam de se ver representados. Assim nasceu a ideia de visitar a aldeia e fazer o convite a eles para participarem das nossas atividades em comemoração à paz com a natureza. Convidamos 4 voluntárias atuantes em temas indígenas para compor a equipe e cada uma delas trouxe valiosa contribuição. Tamara André conhece de perto a aldeia Arapy, pois tem assessorado o processo de regularização fundiária da área onde vivem, juntamente com Hamilton Serighelli, do Centro de Direitos Humanos. Adriana Accioly também tem desenvolvido trabalhos na comunidade, pelo Ministério Público. Marina Vinha dedicou toda sua vida à educação indígena e Vivian Brito tem trabalhado com o roteiro turístico inspirado nos Caminhos do Peabiru, um entrelaçado de trilhas ancestrais percorrido por diversos povos originários ao longo de séculos, conectando Pacífico e Atlântico pelos Andes e pela mata atlântica.
Inicialmente, fomos conhecer a aldeia, o pajé, o cacique, o coral infanto-juvenil, o artesanato e as práticas culturais do grupo. Nossa comitiva os presenteou com mudas de árvores frutíferas, material escolar e alguns brinquedos para as muitas crianças. Cercados pelos pequenos, fomos brindados com canto, dança e histórias. Ao ouvir o convite, para nossa atividade em prol da paz, ficamos sabendo por eles que 21 de setembro marca também o início do ano novo guarani (outra sincronicidade!). Um mês e meio antes havíamos alterado a data da comemoração para sábado, dia 20, pois a equipe do Plano Integrador da Cognópolis precisaria do dia 21 para realizar oficinas com a comunidade cognopolita. Esta mudança da atividade Paz com a Natureza para dia 20 tornou possível a participação da aldeia.
Explicamos ao pajé e ao cacique nossa intenção de homenagear os guaranis em nossa trilha. Para que eles pudessem pensar no local específico para a instalação do ícone e na própria definição do ícone, combinamos de levá-los um outro dia da semana para conhecer o espaço. Assim, percorremos a trilha com eles, finalizando com almoço no CEAEC. Curiosa foi a presença, durante o encontro com os guaranis, de uma família intercultural visitante da Cognópolis, em motorhome. Ele, naturoterapeuta, metade espanhol, metade costarriquenho indígena. Ela, a esposa, é romena. O filho, de dois anos, de nome Aiam, havia aparecido para o pai em sonho no período pré-natal, informando qual seria seu nome. Durante o caminho, aprendemos bastante sobre plantas medicinais usadas por eles e seus costumes. Muito intercâmbio sobre fitoterapia ocorreu entre a família visitante e a comitiva guarani.
Visitas trocadas, local escolhido, agora era esperar o grande dia! De acordo com o combinado, as mulheres da aldeia poderiam expor o artesanato guarani no espaço do nosso café da manhã holossensorial. Foi uma linda manhã, com direito a muita conversa, caminhada, cantoria e aprendizados, finalizada com uma dança da intercooperação e da reconciliação entre os povos, puxada pelo coral e envolvendo os participantes da atividade”.
Parcerias institucionais
A ação foi resultado de uma ampla rede de colaboração entre instituições conscienciológicas e iniciativas culturais. A realização contou com a parceria do Discernimentum, do Colégio Invisível da Sinaleticologia, da Paraecologicus, do Movimento Paz Consciencial da AMAC (Associação de Moradores e Amigos do bairro Cognópolis) e da COMUNICONS, mobilizando na organização das atividades, 21 voluntários interessados no tema, provenientes de diversas instituições.
Nerli Vieira explica o histórico do evento: “Organizadas pela Comunicons, as atividades em comemoração ao Dia Internacional da Paz são realizadas anualmente na Cognópolis desde 2021, reunindo pesquisadores e epicentros de atividades relacionadas à paz, para troca de experiências e aprendizados. Promove interação pacífica grupal com objetivo de divulgar e dar mais visibilidade às inúmeras ações relacionadas à paz consciencial. A Paraecologicus participa desde o início, tornando-se parceira a partir de 2023, visto que em 21 de setembro é também o Dia da Árvore, e neste ano de 2025, assumiu o epicentrismo da celebração, renomeada Paz com a Natureza”.
Essa união de esforços demonstrou o potencial do trabalho coletivo e reforçou o caráter integrador da proposta, aproximando diferentes linhas de pesquisa, atuação comunitária e comunicação social, reforçando a ideia de que a pacificação pessoal e coletiva está diretamente ligada à forma como nos relacionamos com o meio ambiente e com as demais consciências.
Ao unir ciência, cultura e consciencialidade, o evento demonstrou que a paz é um processo construído em múltiplas dimensões — da convivência cotidiana à preservação dos recursos naturais, passando pela valorização da memória histórica e do respeito às tradições culturais, deixando a inspiração para novas práticas interassistenciais, e reforçando a importância da sustentabilidade, da consciência ambiental e do diálogo intercultural como bases para uma sociedade mais pacífica e cosmoética.

Para saber mais acesse:
Autora: Cristina Bornia
Depoimentos: Elisson Pauletti; Luciana Ribeiro; Nerli Vieira; Sandra Tornieri
Foto e vídeo: acervo Discernimentum; Elisson Pauletti e Luciana Ribeiro
Expediente: Edição 265 - Setembro e Outubro de 2025
Jornalista responsável: Amaury Pontieri – MTB nº 23.154-SP
Coordenação: Leonardo Ribeiro
Secretária e Editora: Cristina Bornia
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