domingo, 21 julho 2024

Programa de Aceleração da Erudição (PAE) completa 15 anos

Iniciativa impulsiona o desenvolvimento cognitivo e cultural na Conscienciologia

O Programa de Aceleração da Erudição (PAE), promovido pela Reaprendentia, comemora uma década e meia de trabalhos interassistenciais, visando o desenvolvimento da visão de conjunto, intelectualidade e do pensamento crítico. Foram 33 ciclos de estudos, 105 professores, 359 aulas-debates, 254 obras estudadas até o momento, com perspectiva de grandes novidades para o futuro.

Para compartilhar este momento especial, voluntários da Instituição Conscienciocêntrica Reaprendentia, registram a seguir o contexto histórico que retrata a implantação e o desenvolvimento do PAE e o surgimento da Instituição, assim como os saberes hauridos desses 15 anos. Confira a seguir:

Surgimento de uma ideia ambiciosa

A ideia de criar o Programa de Aceleração da Erudição (PAE) surgiu em 2007, durante os debates sobre as diretrizes da Reaprendentia, Instituição Conscienciocêntrica (IC) dedicada à Parapedagogia e Reeducaciologia, cuja inauguração estava prevista para outubro do mesmo ano. A motivação era enriquecer a bagagem cultural dos docentes de Conscienciologia nas áreas mais proeminentes do saber (Filosofia, Ciências Humanas, Ciências da Natureza, Literatura, entre outras), já que a nova IC se propunha a disseminar uma neociência ampla, fundamentada em diversos campos do conhecimento.

O alcance da proposta era de interesse geral, pois mesmo os professores com sólida bagagem cultural, formação acadêmica e vasta experiência de ensino, poderiam ter lacunas em seu entendimento de temas fundamentais para a interlocução com outras áreas do saber e ampliação da própria capacidade de análise crítica dentro das aulas de Conscienciologia.

A partir desta demanda, nasceu a proposta de desenvolver atividades de estudos em conjunto, visando diminuir essas lacunas e ampliar o conhecimento dos docentes. Embora a Conscienciologia já valorizasse a erudição, a polimatia e a cultura enciclopédica mais abrangente, muitos professores e pesquisadores consideravam ambicioso demais alcançar um alto nível de erudição pessoal, especialmente aqueles com diferentes níveis de formação científica, filosófica, acadêmica e cultural. Fazia-se necessária, portanto, a elaboração de um programa que endereçasse essa demanda, conferindo-lhe contornos factíveis dentro da rotina útil dos pesquisadores e docentes interessados.

Assim, o PAE foi concebido como um projeto contínuo de estudos, vivências, leituras e debates, com o propósito de impulsionar o desenvolvimento cognitivo dos docentes e aspirantes à docência, aproximando-os da conquista de um nível funcional de erudição pessoal.

A abordagem inicial consistia em identificar as áreas prioritárias de estudo, considerando os hiatos de conhecimento de cada indivíduo, bem como os fundamentos necessários para a autoqualificação no exercício da docência conscienciológica. Na prática, foi realizado um levantamento das obras essenciais e basilares do conhecimento humano, estabelecendo um cronograma para a leitura e debate das mesmas.

A cultura não é construída de uma hora para outra. Trata-se de um empreendimento progressivo, livro após livro, vivência após vivência, registrando cada conceito, palavra ou informação nova aprendida. Nesse contexto, a metodologia do PAE surge como uma valiosa ferramenta: um programa permanente, aberto à criação de novas modalidades e atividades, tomando o desafio de se adaptar ao momento e à demanda dos interessados.

Omnia nosse impossibile, pauca non laudabile (Saber tudo é impossível, saber pouco não é louvável).

Oferecimento de múltiplos benefícios

Durante o lançamento oficial do PAE, ocorrido durante o próprio evento de fundação da Reaprendentia, o Professor Waldo Vieira destacou em breves palavras sua felicitação pela criação da nova instituição e ressaltou o ‘programa de erudição’ como um dos pontos altos da IC. Enfatizou que o programa despertaria particular interesse nos jovens, que desde cedo deveriam buscar uma formação erudita, algo que ele mesmo gostaria de ter desfrutado em sua adolescência.

Equipe técnica do PAE em 2009 – primeiro curso tarifado da CCCI transmitido online.  (Foto: acervo Reaprendentia)

Além dos benefícios já mencionados, participantes que permanecem por mais tempo no programa podem desenvolver uma série de efeitos adicionais. Um deles é o desenvolvimento da sapiência útil, ou seja, a filosofia da ação. Essa abordagem baseia-se na integração da cultura e da sabedoria com o senso prático, aplicando o conhecimento em prol da melhoria da qualidade de vida e da evolução das consciências. 

Outro efeito relevante é a ampliação da visão de conjunto, resultante da comparação entre diferentes linhas de pensamento. Esses cotejos também podem auxiliar no desenvolvimento do abertismo consciencial, a capacidade de abertura a novas ideias e perspectivas. Participantes que se envolvem no programa por um período prolongado também tendem a desenvolver o gosto pelo estudo, pelo conhecimento e pela leitura. Isso ocorre porque são expostos a uma grande quantidade de informações e ideias, o que desperta a curiosidade e o interesse pela aprendizagem. 

Ademais, o PAE também pode contribuir para a gestação consciencial (gescon), pois o hábito da leitura é um primeiro passo lógico para a escrita. A prática de leituras selecionadas, visando aumentar a sabedoria geral e conscienciológica, fornece subsídios para a criação da gescon.

O Programa de Aceleração da Erudição representa, portanto, uma iniciativa inovadora e eficaz no âmbito da Conscienciologia, impulsionando o desenvolvimento cultural e cognitivo dos seus participantes e promovendo uma abordagem filosófica voltada para a ação consciente, ampliação de horizontes e a busca constante pelo conhecimento evolutivo.

Rigor e profundidade na seleção das obras

A escolha dos temas, obras e professores que compõem a Dinâmica de Leitura e Debates do PAE é um processo meticuloso e bem fundamentado. A cada semestre, o Conselho de Ciclos e Obras do PAE realiza uma série de reuniões para definir os temas a serem abordados em cada ciclo do programa. Esse conselho é composto por especialistas em diversas áreas do conhecimento, garantindo uma seleção criteriosa.

O primeiro passo é determinar o tema central do ciclo, levando em conta o estágio evolutivo dos participantes e as demandas gerais dos interessados. Para enriquecer ainda mais o debate, o conselho pode convidar especialistas sobre o tema para integrarem temporariamente o grupo. A próxima etapa envolve a identificação das obras mais relevantes sobre o assunto em questão, seguindo critérios como: relevância do tema para o momento atual; qualidade da obra; diversidade, evitação de vieses ou concentração em poucos autores; acessibilidade da obra.

Existe também o cuidado de verificar se o livro selecionado já foi estudado recentemente. Neste caso, pode-se optar por outro trabalho do mesmo autor ou priorizar um autor diferente. Caso a obra seja extensa, pode-se escolher um trecho específico do livro ou selecionar outra obra mais concisa.

O desafio é grande, visto que podem ser pré-selecionadas até 30 obras significativas, mas apenas 9 ou 10 delas serão escolhidas como prioritárias. Essa seleção busca proporcionar uma visão abrangente e ao mesmo tempo aprofundada da temática. A complexidade desse processo pode ser exemplificada com a tarefa de escolher, no campo da Astronomia, apenas um autor entre três gigantes do quilate de Galileu, Copérnico e Kepler. O mesmo dilema surge diante do desafio que seria, no estudo do Renascimento, escolher apenas um nome entre clássicos do porte de “A Divina Comédia”, “Hamlet” ou “Dom Quixote”.

Lista de obras lidas e debatidas: reaprendentia.org/obras-estudadas-pae

Professores do PAE com crânio de Australopithecus afarensis na aula do livro Evolução do Cérebro, de Paulo Dalgalarrondo.  (Foto: acervo Reaprendentia)

Clássicos: a importância de se ir às raízes do saber 

Sempre que possível, é dada preferência à escolha de obras clássicas dentro de um ciclo temático do PAE. Os clássicos são obras fundamentais que sustentam o conhecimento humano. Como a Filosofia foi o ponto de partida para muitas linhas de investigação no Ocidente, essas obras frequentemente derivam de diversas correntes filosóficas, além das grandes obras de referência dentro das ciências, e dos marcos universais da Literatura.

O que faz um livro ser clássico é sua relevância ideativa e a possibilidade de ser relido em diferentes momentos da vida. Cada nova leitura pode revelar novas lições, dependendo da maturidade do leitor. Contudo, é necessário considerar as faixas etárias dos leitores. Por exemplo, o estudo do pensamento de Kant pode parecer desafiador para adolescentes e jovens, mas pode ser extremamente enriquecedor para leitores mais experientes.

Quando se trata de estudar seriamente um tema, a bibliografia deve começar pelos clássicos. Não que o clássico seja a última e definitiva palavra sobre um assunto. Não que o clássico seja inquestionável ou pretenda esgotar uma discussão. Longe disso. Mas assim como uma árvore vigorosa possui profundas raízes, um campo de conhecimento sistematizado possui referenciais bem definidos. Esses referenciais são os clássicos. 

Um livro clássico não vai perdurar tanto pelas respostas e soluções que oferece, pois estas estão sujeitas ao desgaste do tempo, mas sim pelas perguntas e problemas que coloca para as futuras gerações de pesquisadores de determinada área. Neste sentido (e só neste sentido), o clássico é atemporal. 

A obra clássica baliza o conhecimento, põe problemas e funda a tradição, criando o horizonte de possibilidade para as possíveis respostas das gerações vindouras. Por isso, o aprendiz (e todos são aprendizes) só tem a crescer dialogando com os clássicos. E um debate, se pretende ser profícuo, precisa incluir a tradição dos clássicos na interlocução.

De outro modo, corre-se o risco de se replicar no itinerário intelectual pessoal a mesma lógica do mundo consumista, em que a informação é construída a partir de resumos apressados e de conhecimentos instantâneos. O estudo dos clássicos é, portanto, fundamental para uma educação humanista ampla e aberta a todos. A cultura geral não pode ignorar o conhecimento dessas obras. 

Clássicos: ampliadores de horizontes evolutivos

Concernente à especificidade do enfoque conscienciológico, a leitura dos clássicos é tarefa de enorme relevância para o público atento ao parapsiquismo e à Evoluciologia. Tal leitura busca ampliar e aprofundar a autocognição dos intermissivistas e assistir às conscins e consciexes estagnadas nos conteúdos da obra em análise, promovendo o descortino de novos horizontes intelectuais e a mudança de patamar evolutivo para todos os envolvidos. 

Nesse sentido, é possível tirar partido do desenvolvimento conjunto da intelectualidade e do parapsiquismo por meio de um refinamento da atenção a todos os possíveis fenômenos parapsíquicos concomitantes à leitura aprofundada de obra relevante, tomando notas e acumulando dados de autopesquisa. 

As obras clássicas tendem a facilitar as ocorrências parapsíquicas durante seu estudo, seja por evocação de retrovidas nas quais o leitor ou leitora as estudou (ou mesmo as escreveu), seja pela conexão com holopensenes bem consolidados e, consequentemente, evocativos de consciexes interessadas no assunto, frequentemente necessitadas de assistência.

Tal realidade foi destacada por amparadores durante cursos de campo da Reaprendentia, ressaltando o aspecto interassistencial às consciexes evocadas durante as leituras e debates. O processo pode ser potencializado pela instalação de campo energético, sempre que possível, antes da leitura da obra, bem como a monitorização das reações holossomáticas durante o estudo e, se necessário, a desassimilação energética ao final, por meio do estado vibracional

Reações espontâneas à primeira leitura devem servir de indícios para a autopesquisa parapsíquica, como fortes afinidades ou evidentes antagonismos sem explicação clara. Seria uma obra já lida em retrovidas, não raramente mais de uma vez? Seria o acoplamento energético com consciexes afins ou antagônicas ao assunto? Um livro pode servir de retrocognitarium portátil.

Outra ocorrência comum são as sincronicidades relativas à leitura, como por exemplo a palavra rara, o estrangeirismo ou a sentença (máxima, parêmia, provérbio) que, após terem sido lidos numa obra, aparecem sequencialmente em outras fontes díspares, chamando a atenção para amplo leque de associações de ideias inspiradoras e fecundas. 

Conforme se aprofunda a concentração no estudo, associada à intensificação das energias conscienciais e consequente ativação dos chacras encefálicos, o leitor ou leitora pode experimentar diversos graus de descoincidência do paracérebro, favorecendo o taquipsiquismo, a associatividade invulgar de ideias, as inspirações extrafísicas (achega matemática, achega retrobiográfica), as insinuações da holomemória e, num nível mais otimizado, o transe mentalsomático. 

Essas são apenas algumas das muitas oportunidades de sinergismo virtuoso entre intelectualidade e parapsiquismo que o estudo de obras evolutivamente relevantes pode ensejar. Assim, o estudo aprofundado de obras relevantes pode potencializar fenômenos parapsíquicos, gerar sincronicidades e ampliar a autocognição dos participantes. Por meio de uma abordagem cuidadosa, os clássicos se tornam verdadeiros instrumentos para o enriquecimento do saber e expansão da consciência.

Aulas-debate: estímulo ao desenvolvimento integral

Com base no consenso sobre os autores e obras selecionadas, são escolhidos os professores-facilitadores, preferencialmente especialistas nos assuntos abordados nas obras escolhidas. Esses estudiosos serão responsáveis por conduzir as aulas-debate e orientar os alunos ao longo do programa. As aulas-debate têm uma abordagem pautada no paradigma consciencial, estabelecendo comparações entre a linha de conhecimento e os autores com as ideias e conceitos da Conscienciologia. Notável ciclo virtuoso se desenvolve quando alunos do PAE se tornam professores em novos ciclos, evidenciando os resultados de aquisição de novo patamar de erudição pessoal. Bis discit qui docet (Quem ensina aprende duas vezes).

Desde 2008, as aulas-debate adotam o formato híbrido, combinando aulas presenciais com transmissões online. É recomendado que os alunos leiam as obras antes das aulas para participarem ativamente dos debates, mas mesmo aqueles que não tiverem lido a obra podem se beneficiar das explanações dos professores. As aulas são gravadas e disponibilizadas aos inscritos, possibilitando revisões e aprofundamento dos temas.

Nesse contexto, o Programa de Aceleração da Erudição  se destaca como uma oportunidade única para o desenvolvimento integral dos participantes, proporcionando um ambiente enriquecedor e propício para o crescimento intelectual e paraperceptivo. As obras selecionadas e a abordagem das aulas-debate visam estimular o pensamento crítico, aprofundar o entendimento sobre diversos temas e contribuir para a formação de indivíduos e docentes mais conscientes e preparados para enfrentar os desafios do mundo contemporâneo.

Como participar do PAE

O PAE é realizado duas vezes por ano, no primeiro e no segundo semestre do ano, em ciclos com temas e obras específicas. Os encontros acontecem aos domingos, a cada 15 dias, online ou presencialmente na sede da Reaprendentia em Foz do Iguaçu, das 09h às 12h. Em geral são 10 encontros por ciclo (semestre). As atividades são presenciais e on-line permitindo aos participantes o acompanhamento síncrono e assíncrono, presencial ou a distância. As aulas ficam gravadas para acesso futuro. Há mais informações em reaprendentia.org/pae

Assista a aulas gratuitas dos ciclos passados e muito mais no canal Parapedagogia.

Para saber mais acesse:
Autores: Ernani Brito, Marcelo da Luz, Munir Bazzi, Otto Mendonça, Tiago Oliveira e William Klein
Acompanhamento: Cristina Bornia
Foto e vídeo: Acervo Reaprendentia
Expediente: Edição 252- Julho e agosto de 2023
Coordenação compartilhada: Leonardo Ribeiro e Yana Fortuna
Jornalista responsável: Amaury Pontieri – MTB nº 23.154-SP
Editora: Yana Fortuna
Redatores de conteúdo: Cristina Bornia, Sónia Luginger e Yana Fortuna
Revisor de conteúdo: Luiz Antonio de Oliveira
Revisor ortográfico: Maria Koltum
Revisor do Inglês: Sergio Fernandes
Edição de vídeo: Eduardo Catalano
Web designer: Leonardo Ribeiro
Marketing Digital: Yana Fortuna
Conformidade com a política editorial (Conselho Editorial): Amaury Pontieri, Denise Paro e Pedro Mena Gomes
Endereço: Av. Felipe Wandscheer, 6200 - Cognópolis Foz do Iguaçu - PR - Brasil
contato@jornaldacognopolis.org
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