Realizada de 31 de maio a 7 de junho de 2026, durante a II Semana Paraecológica, no Polo Discernimentum, em Foz do Iguaçu (PR), a I Exposição Ortoconvivialidade Interespécies reuniu em torno de 40 participantes ao longo da semana, provenientes de 4 Estados brasileiros (MS, PR, RS e SC).
Nesta entrevista ao Jornal da Cognópolis, Cristiane Hammes apresenta os bastidores da iniciativa, passos da organização, os resultados observados durante o evento e as perspectivas para as próximas edições.
Jornal da Cognópolis: Como surgiu a ideia da Exposição Ortoconvivialidade Interespécies?
Cristiane Hammes: A ideia de promover uma atividade voltada à reflexão sobre as múltiplas formas de convivência entre consciências, ambientes e espécies surgiu em fevereiro de 2026, durante a atividade da Grafotares do Encontro de Qualificação dos Voluntários da Associação Internacional de Paraecologia e Responsabilidade Planetária (Paraecologicus).
Cristiane Borges: Na ocasião, os voluntários percorriam os espaços destinados aos futuros laboratórios e contextos de interação paraecológica, realizando o mapeamento multidimensional da Trilha Via Forestalis. Ao longo da caminhada, emergiram diálogos sobre a importância das relações interespécies na ampliação da empatia, do senso de pertencimento e da responsabilidade compartilhada em relação a todas as formas de vida, brotando neste contexto, de maneira espontânea, a inspiração para a exposição.
Jornal: Como a proposta começou a ganhar forma?
Cristiane Hammes: A proposta oficial teve início quando a artista Isa Rogoski realizou alguns desenhos representando pessoas e os animais com os quais possuíam afinidades significativas.
Isa Rogoski: A Cris Hammes comentou durante o encontro sobre sua gata Clara, que havia sido adotada recentemente, então no momento da atividade de escrita, fiz um desenho dela. No fim da atividade, o desenho foi mostrado para os demais e a Cris Borges pediu um desenho dela de cachorro, que foi feito em seguida. Esses foram os primeiros desenhos que alavancaram a ideia da exposição e também foram expostos nela.
Luciana Ribeiro: As ilustrações despertaram interesse imediato por evidenciarem, de maneira simbólica e sensível, vínculos afetivos, aprendizados, traços-força bem desenvolvidos, e características compartilhadas entre seres humanos e outras espécies. A repercussão positiva da iniciativa motivou a ampliação da proposta, culminando na realização da Exposição combinada com atividades interativas.

Jornal: Quem integrou a equipe organizadora?
Cristiane Hammes: A equipe organizadora foi composta por Aline Daneluz Carletto, Cristiane Névia Hammes, Isabela Rogoski Peres e Luciana Mello Ribeiro. Desde a idealização até a materialização do projeto, as integrantes atuaram de maneira colaborativa nas etapas de concepção, planejamento, organização e execução da exposição, contribuindo para transformar a proposta em uma experiência educativa, artística e reflexiva sobre a convivência harmoniosa entre as diferentes espécies.
Luciana: A exposição criou oportunidade para descobrir e valorizar trafores da equipe, discutir a ortoconvivialidade interespécies no âmbito da Paraecologicus, acolher as diversas propostas de ações associadas à exposição conforme propostas pelos paraecólogos, estabelecer relações com diferentes grupos de voluntários da Conscienciologia, descobrir as necessidades interassistenciais deste novo tipo de atividade, identificar os públicos extrafísicos envolvidos.
Jornal: Como foi, de modo geral, a experiência para os participantes ?
Cristiane Hammes: A exposição funcionou ao modo de um convite aos participantes, levando-os a refletirem sobre as interações homeostáticas entre humanos, outros animais e o meio ambiente, promovendo o reconhecimento da diversidade como valor evolutivo. Os trabalhos estimularam a observação dos traços fortes, dos processos de cuidado, das responsabilidades interassistenciais e das oportunidades de aprendizado presentes nas relações interespécies, surgindo afinidades pessoais. O ambiente também se revelou espaço acolhedor para crianças, famílias e visitantes de diferentes faixas etárias, favorecendo o resgate de habilidades pessoais muitas vezes adormecidas, como o desenho, a criatividade, a observação da natureza, a sensibilidade e a capacidade de compartilhar experiências por meio de atividades lúdicas e interativas. As oficinas, rodas de conversa e vivências possibilitaram encontros espontâneos, trocas de experiências e reflexões sobre a convivência com diferentes espécies ao longo da vida.
Jornal: Nesse ambiente de estímulo às interações e trocas o que emergiu de mais interessante? O que você destacaria?
Cristiane Hammes: No transcorrer das interações, diversos participantes compartilharam vivências marcantes envolvendo animais, parafenômenos e experiências de ampliação de consciência. Entre elas, destacou-se o relato de uma experiência ocorrida durante um curso de campo do Extensão em Conscienciologia e Projeciologia 2 (ECP2), na qual a pesquisadora Isabel Fernandes, relatou a percepção de intenso acoplamento com uma cobra extrafísica. Na ocasião o epicentro consciencial esclareceu que aquele animal integrava a equipe extrafísica do curso, colaborando nos trabalhos assistenciais e de reurbanização extrafísica desenvolvidos durante a atividade. O relato despertou grande interesse entre os participantes, ampliando as reflexões sobre as múltiplas formas de interação entre consciências humanas, animais e equipes extrafísicas. Nas palavras da própria Isabel:
“Foi um ECP2 com o Epicon Professor Moacir Gonçalves (hoje consciex) realizado no campus IIPC-Saquarema. No debate, ao relatar a experiência, professor Moacir comentou que as consciexes que estavam superintendendo o trabalho eram do Planeta do EM (consciex amiga do Prof. Waldo Vieira). Essas consciexes são peritas em energia (trabalho energético). Naquele planeta o corpo físico dessas consciências era semelhante a um réptil (a percepção que tive era de cobra grande). O corpo físico em que se manifestavam não tinha pulmão em sua constituição. Na interação tive uma sensação maravilhosa quanto às energias e estranha quanto aos processos respiratórios, algo paradoxal: quanto ao soma ocorreu desconforto e quanto ao energossoma foi incrível!”.

Jornal: Além das experiências com animais, houve interações com outras espécies, por exemplo, vegetais?
Cristiane Hammes: A exposição teve foco na ortoconvivialidade interespécies, ou seja, aberta a reflexões que abarcasse também outras espécies não animais. Uma das participantes trouxe sua experiência com margaridas, por exemplo. Indicando que a temática estava em evidência, durante a Semana de Paraecologia e na apresentação de alguns verbetes, além das evocações da consciência amparadora Rose Garden, houve várias menções às interações entre humanos e vegetais, com destaque para o convívio entre Cristiane Borges e um coqueiro (verbete: Efeito Grupocármico do Autocuidado), as experiências compartilhadas por Lídia Bolfe (verbete: Interação Conscin-Árvore) e por Flora Miranda (verbete: Sensibilidade do Mato). Além disso, a voluntária Flávia Anselmo, residente em Belo Horizonte (MG), compartilhou que simultânea e sincronicamente naquela cidade realizaram a exposição “Florestar: quando permito florescer”, que expôs na Casa Fiat de Cultura os textos imagéticos (fotografias de humanos mesclados com desenhos de plantas), produzidos por Ana Estaregui, a qual se inspirou no trabalho da bióloga e filósofa Donna Haraway, criadora do conceito “simpoiese”, que significa “gerar-com” ou “fazer junto”, chamando a atenção para a cocriação multiespécie, de modo que a vida seria uma teia de relações, haja vista a evolução depender da colaboração e da interdependência entre humanos, animais, plantas, microorganismos e tecnologia, ou seja, nada no mundo seria feito sozinho ou totalmente auto-organizado.
Jornal: Quanto às ilustrações, de que modo e em que sentido elas tocaram e mexeram com os observadores?
Cristiane Hammes: Ao longo da exposição, emergiram lembranças, associações e percepções relacionadas à história pessoal e à serialidade existencial. Em alguns participantes, determinados desenhos despertaram memórias retrocognitivas e forte interesse por contextos históricos específicos, destacando-se referências ao antigo Egito. Tais repercussões despertaram, na equipe organizadora, o desejo e a necessidade de aprofundar pesquisas, buscando compreender possíveis conexões pessoais, grupais e culturais relacionadas às experiências evocadas.
Um dos momentos mais significativos ocorreu a partir de uma das ilustrações apresentadas na exposição, cujo desenho desencadeou reações espontâneas, acolhedoras e bem-humoradas entre os participantes. A observação dos elementos simbólicos presentes na obra favoreceu reflexões sobre comportamentos, qualidades, potencialidades e desafios evolutivos. De maneira lúdica e natural, a atividade transformou-se em oportunidade de aprofundamento autopesquisístico, favorecendo insights e reflexões compatíveis com os princípios da autoconsciencioterapia.
O episódio evidenciou o uso da arte de maneira positiva e assistencial, associada à convivialidade sadia e à escuta acolhedora, funcionando como catalisadora de autorreflexões, contribuindo para ampliar a compreensão de si mesmo e fortalecer processos de autoconhecimento, autorreciclagem e desenvolvimento consciencial.
Isa Rogoski: Durante o evento alguns participantes fizeram a associação dos retratos com alienígenas. Foram mencionadas vivências em que muitos deles apresentavam semelhanças com os retratos lá expostos.
Jornal: Foram percebidas sincronicidades durante a exposição?
Cristiane Hammes: Chamou a atenção a ocorrência de sincronicidades relacionadas aos animais escolhidos pelos participantes e às características percebidas em suas interações com eles. Em diversos casos, os desenhos pareceram funcionar como dinamizadores de reflexões, percepções e reencontros significativos, ampliando o interesse pela autopesquisa das afinidades interespécies. Entre os relatos compartilhados, destacou-se a experiência de um participante representado por uma ave de rapina. Ao término de uma das atividades, ocorreu de modo inesperado o encontro direto com o animal escolhido para sua representação. No dia seguinte, novas referências às aves de rapina surgiram em outro contexto da programação, fortalecendo a percepção de convergência temática entre os acontecimentos.
As reflexões decorrentes dessas vivências favoreceram o debate sobre a atenção estendida ao ambiente, a leitura dos sinais da natureza, a observação dos comportamentos animais e o desenvolvimento da prudência nas atividades cotidianas. Aspectos tradicionalmente estudados em práticas como a falcoaria foram lembrados pelos participantes ao refletirem sobre a sensibilidade das aves de rapina para identificar movimentos, alterações ambientais e possíveis situações de risco.
Jornal: Quais foram os principais resultados e repercussões observados a partir das experiências vivenciadas pelos participantes?
Cristiane Hammes: Independentemente das interpretações atribuídas às ocorrências, o conjunto das experiências ampliou as discussões sobre simbolismos, sincronicidades, afinidades interespécies, aprendizagem pela observação da natureza e desenvolvimento da autoconscientização quanto às interações entre consciências humanas e não-humanas, ambiente, biodiversidade e paraecossistemas.
Foi marcante a oportunidade de acolhimento e integração de diferentes públicos. As oficinas e diálogos favoreceram encontros significativos entre participantes com distintas vivências, incluindo pessoas identificadas no espectro autista, evidenciando a importância da adaptação dos ambientes e das relações para que a diversidade possa se manifestar de maneira saudável, produtiva e enriquecedora para todos.
As interações ocorridas durante o evento permitiram percepções da necessidade de promover ambiente acolhedor, sensível às diferenças, antes de assistir, reconhecendo os potenciais únicos de cada ser vivo. Em diversos momentos tornou-se evidente que muitos talentos, capacidades e potenciais permanecem invisíveis não por ausência de recursos internos, mas pela falta de ambientes suficientemente seguros, empáticos e acessíveis para que possam florescer. O reencontro entre participantes com experiências semelhantes, a troca de vivências e o reconhecimento mútuo das próprias singularidades evidenciaram o potencial interassistencial da proposta.
Jornal: É importante esclarecer algum aspecto sobre a proposta para evitar interpretações equivocadas?
Cristiane Hammes: Vale destacar que a proposta está longe de ter vínculo com movimentos de autoidentificação animal ou manifestações culturais específicas. Os desenhos constituem uma linguagem simbólica voltada à reflexão sobre convivência, diversidade, Paraecologia e ortoconvivialidade, utilizando as relações entre diferentes espécies como recurso educativo e interassistencial.
Jornal: Já existem planos para novas edições da Exposição Ortoconvivialidade Interespécies?
Cristiane Hammes: Como desdobramento natural da iniciativa, já se estuda a realização da II Exposição Ortoconvivialidade Interespécies em 2027, envolvendo múltiplos ilustradores e diferentes linguagens, ampliando o diálogo com diversos públicos e fortalecendo a proposta de construção de ambientes cada vez mais inclusivos, acolhedores e interassistenciais. A intenção é ampliar as possibilidades de expressão e conexão entre diferentes grupos, favorecendo o acolhimento da diversidade humana e interespécies, bem como o desenvolvimento de novas oficinas, rodas de conversa, vivências e espaços de compartilhamento de experiências evolutivas, resultando em futuras gescons.
Jornal: Que legado a exposição deixa para os participantes e para as pesquisas em Paraecologia e ortoconvivialidade?
Cristiane Hammes: A exposição revelou-se um laboratório espontâneo de autopesquisa, convivência, criatividade, Paraecologia, autoconsciencioterapia e interassistencialidade, favorecendo reflexões sobre a relação entre seres humanos e não-humanos, ecossistemas e paraecossistemas, tornando-se também um espaço de escuta, pertencimento, valorização da singularidade e construção de pontes entre diferentes formas de manifestação da vida.
Talvez uma das maiores contribuições da exposição tenha sido justamente a ampliação do olhar para a riqueza presente na diversidade e para as inúmeras possibilidades de aprendizado, assistência e evolução existentes nas relações entre consciências, espécies, ambientes e paraecossistemas.
Agora, ao sistematizar as experiências e aprendizados da exposição, estamos dando início à organização de um livro sobre a temática.
Para saber mais acesse:
Entrevistador: Cristina Bornia
Entrevistados: Cristiane Hammes; Cristiane Borges; Luciana Ribeiro; Isa Rogoski
Depoimento e colaboração: Isabel Fernandes e Flávia Anselmo
Acompanhamento: Cristina Bornia
Foto e vídeo: acervo Paraecologicus
Expediente: Edição 269 - Maio e Junho 2026
Jornalista responsável: Amaury Pontieri – MTB nº 23.154-SP
Coordenação: Leonardo Ribeiro
Secretária e Editora: Cristina Bornia
Redatores de conteúdo: Cecilia Roma, Cristina Bornia, Sónia Luginger e Leonardo Ribeiro
Revisor de conteúdo: Luiz Antonio de Oliveira
Revisor ortográfico: Maria Koltum
Web designer: Leonardo Ribeiro
Conformidade com a política editorial (Conselho Editorial): Amaury Pontieri e Denise Paro
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