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Honest Shop é realidade na CCCI

Você conhece a proposta deste formato de estabelecimento?

Imagine que você precisa comprar algum produto com certa urgência em uma viagem ou mesmo no cotidiano. Você entra no mercado, mas ele está completamente vazio. Apenas você e as prateleiras repletas de caixas, garrafas e sacolas. Talvez, uma câmera. Nenhum atendente, nenhum cobrador de caixa, é você mesmo quem passa os produtos, escaneia o código e paga pelo celular. O que você faria?

A Honesty Shop está localizada no Interludium Iguassu Convention Hotel e permanece aberta todos os dias da semana. (Foto: Leonardo Ribeiro)
Honesty Shop (Foto: Leonardo Ribeiro)

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É esse o conceito de Honest Market ou mercado honesto, que é comum em países orientais de alta tecnologia, como China e Japão, na pandemia virou tendência entre o público brasileiro pelo baixo custo de manutenção, facilidade tecnológica e autonomia pela não-necessidade de contato físico. 

São geralmente minilojas de autoatendimentos instaladas principalmente em condomínios e pequenas empresas, com linhas de produtos para atender com conforto o dia a dia de uma casa e demandas pontuais dos usuários. O pagamento é realizado via cartão de crédito ou débito, pix, leitura de QR code, entre outras modalidades tecnológicas.

São estabelecimentos apoiados e fundamentados em condutas de honestidade e valores como a confiança e a integridade, propostos pelo paradigma consciencial, especificamente pela especialidade Cosmoética, que versa sobre um conjunto das normas universais, aplicadas ao estudo da ética, reflexão ou moral cósmica, transcendente à moral social intrafísica.

No bairro Cognópolis, em Foz do Iguaçu, já existem dois Honest Markets, um no Interludium Iguassu Convention Hotel, e outro no Polo Conscienciocêntrico Discermimentum. O Jornal da Cognópolis foi conversar com os proprietários Inêz Zolet e Leonardo Moscon  para saber mais sobre essas instalações.

Inêz Zolet - proprietária da Honesty Shop (Foto: Leonardo Ribeiro)

Entrevista 1: Inêz Zolet – Honesty Shop

Quando foi criado a Honesty Shop? E como surgiu a ideia de instalar este espaço aqui no hotel?

A loja foi criada em 2019: fizemos uma experiência de dois meses para testar este novo modelo de estabelecimento e foi muito bem. Porém, com a pandemia do Covid-19, o hotel fechou e reabriu somente em novembro de 2021. E nós reabrimos com ele. A ideia inicial foi da minha filha, que está sempre pesquisando as novidades. Ela implantou a loja no hotel e perguntou se eu não gostaria de dar continuidade.

Eu respondi: claro! Aceitei porque adoro trabalhar no comércio, já tive vários durante a vida. Fui à falência e retornei porque o empreendedor nunca deixa de empreender. E esta proposta inovadora me chamou a atenção porque é um modelo aliado à tecnologia, sem necessidade de um atendente, já que o que o cliente precisa já está ali. A pessoa entra, se serve, paga e está tudo certo.

Como é feita a escolha dos produtos?

Gosto de pensar em tudo que um turista precisa. O que não tiver, existe uma caixinha de sugestões, então, eu vou adicionando. Eu já tinha uma noção de comércio e o que poderia vender aqui no hotel. Penso nos dias temáticos, a exemplo natal, páscoa, principalmente os feriados. Decoro a loja com produtos relacionados, trago produtos diferentes. Para mim, é uma satisfação fazer essas escolhas pensando nas pessoas, nas suas necessidades.

Honesty Shop (Foto: Leonardo Ribeiro)
Inêz Zolet afirma que não houve nenhum furto nos 5 meses de funcionamento da loja. (Foto: Leonardo Ribeiro)

Como tem sido a  experiência? Alguém já pegou algum produto e não pagou? 

Isso não aconteceu ainda. A cada 15 dias eu faço um levantamento e perda por furto ainda não tive. É um risco, mas, se você não se arriscar, como é que vai saber que é possível, né?! Eu penso muito no acolhimento do cliente. Nós, como seres humanos, temos que acreditar que existe um caminho para trabalhar a honestidade. Estamos em uma época em que ninguém acredita em ninguém. Então, damos os primeiros passos, sendo exemplo.

O que os turistas falam sobre essa proposta?

Esse modelo de comércio já existe no Brasil, muito pouco, mas existe. No geral, a pessoa fica surpresa, porque ela pode pegar qualquer produto e não há ninguém para receber. Então é a pessoa e a sua consciência. Assim, elas questionam, tiram fotos, deixam recados com elogios… Mais tarde, quero fazer um painel com os feedbacks. O que eu gosto é da curiosidade das crianças. Elas ficam impressionadas com essa proposta. Fazem diversas perguntas, querem entender. Quando eu estou aqui, respondo todas.

Sabemos que esse tipo de comércio trabalha de perto com valores relacionados à cosmoética. Você percebeu algum parafato sobre isso?

Sim, percebi diversos. Porque a gente trabalha com dois lados: o do comércio e o lado em que você acredita na capacidade do ser humano de ser ético. Este tipo de estabelecimento auxilia a exercitar esse traço, pensando no âmbito da cosmoética e da teática. Eu percebo muitos insights sobre este trabalho, que eu considero muito interassistencial, pois vai muito além do acolhimento e da venda. Eu tenho uma percepção muito nítida de que estou no caminho certo, é um trabalho que me traz um alto grau de satisfação e serenidade, porque eu gosto muito de trabalhar com as pessoas. Assim, eu penso bastante nisso e sou muito grata por esta oportunidade existencial.

Entrevista 2: Leonardo Moscon – Honest Food Box

A Honest Food Box está localizada no Polo Conscienciocêntrico Discermimentum e está aberta todos os dias da semana, inclusive feriados. (Foto: Leonardo Ribeiro)
Foto: Leonardo Ribeiro

Desde quando está em funcionamento o Honest Food Box e como surgiu a ideia de instalar esse espaço aqui no Discernimentum?

Este espaço está disponível desde setembro de 2020. A ideia surgiu porque eu tenho uma loja no segmento de produtos naturais há sete anos e meio, aproximadamente, em que trabalho com marmitas saudáveis. Antes da pandemia, a ideia era expandir o meu negócio, entregando as marmitas ao maior público e da forma mais prática possível. Porém, a taxa de entrega diária foi um problema. Então minha ideia foi tentar achar pontos comerciais estratégicos, a exemplo de condomínios, para tentar disponibilizar marmitas congeladas ao consumidor.

 

Quando veio a pandemia, o projeto travou, pois muita gente foi para casa, fez home office e tudo o mais. Neste período surgiram as franquias de conveniência em condomínio. Como eu já tinha essa ideia e uma loja de produtos naturais, decidi, à princípio, contratar uma dessas franquias, mas fazendo levantamentos financeiros, vi que não valeria a pena. Foi quando surgiu a ideia de criar a Honest Food Box, porque eu via que todas as franquias eram um ponto de conveniência com produtos de distribuidoras e eu queria trazer algo diferente, que fosse ao encontro dos meus princípios e valores, e possibilitasse a venda de produtos naturais para os meus clientes.

 

Pensei comigo: por que não unir o útil ao agradável? As marmitas e a loja de conveniência com produtos naturais. Acabei correndo por conta própria.  Demorei a abrir por causa disso, pelo espaço, projeto… Pensei em trazer uma aparência de natureza, as prateleiras são de madeira, por exemplo, que é muito mais ecológico e em caso de deterioração, não polui o ambiente. Tentei ser honesto também com meus princípios: busco produtos, equipamentos e práticas mais naturais (como evitar produzir lixo). Não é uma aparência moderna, mas tem relação em tudo que eu coloquei aqui.

Como tem sido essa experiência?

Eu já tinha alguma experiência por ter trabalhado com meus pais em um mercado há muito tempo, mas trabalhar com esse tipo de estabelecimento superou minhas expectativas. Apesar de ter inaugurado durante a pandemia, está cada dia mais se integrando à rotina local. Vender produtos naturais não é fácil, mas as pessoas aqui do polo são muito acolhedoras. Elas gostaram bastante. Essa relação não envolve apenas a venda, mas a interação, afetividade, e esse processo me deixa muito feliz.

Alguém já pegou algum produto e não pagou?  Você tem um percentual de perda?

Eu, que desde pequeno trabalho no ramo de comércio, sei que todo empreendimento tem um percentual de perda. Não estou falando de roubo, pois o percentual de perda não é só a falta de pagamento, mas tem o vencimento, os extravios, etc.

Agora, para utilizar esse espaço de forma correta, a pessoa tem que ser consciente, mas a gente sabe que nem todos têm esses valores. O que eu percebo é que há ainda a falta de condicionamento nas pessoas, de internalizar este modelo, justamente porque a proposta é diferente do que se tem no geral.

Há um processo para entender como adquirir os produtos neste formato de autoatendimento, e as pessoas acabam se perdendo no passo a passo, então já aconteceu de levarem o produto sem realizar o pagamento, acho que não é má fé, mas por estar precisando do produto. Eu já vi a pessoa levar um produto e não pagar, eu vi pelas câmeras, mas em outra oportunidade, ela entrou em contato direto comigo pelo Whatsapp e ajustou isso.

Leonardo Moscon proprietário do Honest Food Box (Foto: Leonardo Ribeiro)

Como é a escolha dos produtos?

O que oferecemos aqui foi pensado junto com a síndica do polo. Ela informou o que as pessoas dessa comunidade precisavam em termos de consumo e um pouco fomos sentindo as necessidades do público. Eu pensei que alguns produtos não iriam sair, como por exemplo, os salgadinhos industrializados e começaram a sair muito. Acho que tem relação com o retorno das atividades e a circulação de pessoas diversificadas.

Tento trazer uma diversidade de produtos e vou testando. Fazer o controle do estoque já dá uma ideia muito boa. Eu não tenho uma caixa de sugestões para evitar o uso de papel, mas tem o número do Whatsapp, que serve também quando a pessoa precisa de auxílio. É através do feedback que a gente melhora.

A pessoa precisa ler o painel com tranquilidade e seguir o passo a passo que ela vai conseguir fazer a sua compra. Estou tentando tornar mais prática a venda dos produtos, mas a pessoa precisa ter paciência, ler as informações do quadro, assistir ao vídeo. Eu quero criar um espaço virtual para estar mais próximo do meu cliente, poder informar as novidades que chegam…Tudo o que eu faço é porque eu quero que a pessoa se sinta em casa.

Leonardo Moscon conta que a aparência do estabelecimento tem relação com os próprios princípios de honestidade. (Foto: Leonardo Ribeiro)
Foto: Leonardo Ribeiro

Você tem alguma experiência marcante ?

As pessoas elogiam muito. Tem um senhor aqui que tem o mesmo nome do meu último ‘Nôno’, que era uma pessoa excepcional, de um caráter extremo. Esse senhor trabalha na portaria e tem um conhecimento, em termos de tecnologia, que me surpreendeu, pois  algumas pessoas de idade têm muita dificuldade nessa área. Esse senhor ajuda muito aqui. Ele me deu muito suporte e isso me marcou muito, porque me lembra muito o meu avô.

Eu sou muito grato a todos: ao convite e à oportunidade, não só pela entrevista, mas à pessoa que me indicou para trazer esse espaço para os pesquisadores e confiou no meu trabalho, ao Sr. Antonio Magalhães, que foi muito otimista e acreditou em mim e à Treice também, que deu muito apoio e muitas ideias.

Este é o início. Quero que as pessoas acreditem que isso aqui é para elas, para facilitar o dia a dia delas, não é só um comércio. 

Honesty Shop: Interludium Iguassu Hotel

Rua da Cosmoética, 1761 – Cognópolis, Foz do Iguaçu – PR

Honest Food Box: Discernimentum

Av. Felipe Wandscheer, 6200 – Cognópolis, Foz do Iguaçu – PR

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