
O livro Discovering Existential Intelligence: Tools, Insights and Implications ( Descobrindo a Inteligência Existencial: Ferramentas, Insights e Implicações) explora a Inteligência Existencial, a dimensão humana pouco estudada que envolve a capacidade de refletir sobre as questões existenciais (por exemplo: De onde viemos? Para onde iremos quando morrermos? Existem outros universos?) relacionadas ao propósito, valores, sentido da vida e a relação com o Cosmos.
A obra apresenta fundamentos teóricos, ferramentas práticas e implicações educacionais e sociais, buscando mostrar por que essa inteligência merece reconhecimento ao lado das demais inteligências propostas por Howard Gardner.
Examina também, de que maneira a Inteligência Existencial pode moldar a capacidade pessoal de lidar com as incertezas, tomada de decisões éticas e auxilia o leitor a encontrar significado em um mundo em constante transformação.
Além disso, a autora realizou revisão geral da literatura, sobre a forma que pesquisadores de diversas áreas abordaram o tema.
A obra foi delineada para ser abrangente, inovadora e universalista. Por isso, para atingir o maior número de pessoas, foi publicada primeiramente em inglês. A motivação surgiu da própria trajetória pessoal e acadêmica da autora, unindo Psicologia, Filosofia, Neurociência e também as vivências profissionais.
É importante destacar que, na parte em que fala sobre a experiência brasileira, criou-se um capítulo só para falar sobre a Conscienciologia, o Professor Waldo Vieira e o Centro de Altos Estudos da Consciência (CEAEC), com algumas imagens.
Sobe a autora

Flávia Ceccato é Auditora Federal de Controle Externo no TCU, com trajetória marcada pela inovação em auditorias de obras públicas e energia. Mestre em Regulação e Gestão de Negócios (UnB), é pioneira na aplicação da Lei de Benford em auditorias de obras públicas e autora do livro Discovering Existential Intelligence. Multidisciplinar, possui formação em Arquitetura, Física, Astronomia, ABA para Autismo e Espiritualidade. É membro de sociedades de alto QI (Mensa, Intertel, ISPE, VeNus, Infinity) e palestrante internacional. Na Conscienciologia, atua como voluntária da Reaprendentia e da Liderare no Projeto Ágora; é tenepessista desde 2015; verbetógrafa e coorganizadora do livro Autopesquisa em Ressomatologia (2022).
A autora fala ao Jornal da Cognópolis sobre os bastidores intra e extrafísico da escrita do livro
Decidi escrever este livro logo após concluir minha pós-graduação em Espiritualidade e Estudos da Consciência, pela PUC-RS. No contexto da pandemia (2020–2021), precisei elaborar uma monografia e ali germinou a semente da obra. Meu propósito era ousado: construir uma ponte entre ciência e espiritualidade, sem cair em religiosismos, mas trazendo a reflexão para o campo da existência, do sentido e do propósito de vida.
Naquele período, enfrentei desafios intensos: a perda do meu pai para a Covid-19, a realocação profissional abrupta em meio a crises institucionais, o estresse do isolamento e as responsabilidades como mãe solo, com um filho autista em alfabetização e uma filha ainda bebê. Foi um contexto de enorme pressão, mas também de profunda oportunidade de autossuperação.
A monografia foi muito bem recebida. Tirei nota máxima e os professores me incentivaram a publicar, destacando o caráter pioneiro da pesquisa. Esse foi um dos primeiros sinais de que eu deveria expandir a investigação. Entrei em contato por e-mail com o Prof. Howard Gardner, o propositor da teoria das inteligências múltiplas, e para minha surpresa ele respondeu. Tivemos trocas que enriqueceram minha compreensão sobre a inteligência existencial, especialmente sobre o “não-dito” da teoria.
Em 2024, senti que era o momento. Escrever o livro foi como abrir uma comporta: o fluxo veio com naturalidade, amparado por intensa pesquisa histórica e revisão de toda a literatura disponível. Escolhi o inglês como língua inicial para alcançar mais pessoas. Foi um investimento pessoal: arcar com diagramação, buscar editora estrangeira e lidar com todas as etapas da publicação. A Curtis Publishing acolheu o manuscrito e, a partir daí, começaram os convites para entrevistas, diálogos e participações internacionais.
No plano extrafísico, foi um período de intensa conexão. Senti-me muitas vezes como veículo de uma vontade coletiva, maior do que a minha individual. Experimentei expansões de consciência, possivelmente patrocinadas por amparadores extrafísicos, com incremento de lucidez, em que me percebia expressão de um propósito maxifraterno, conectada com o Cosmos.
Comecei a dar palestras nas redes sociais sobre o tema do livro, quando fui convidada por um grupo de estrangeiros ligados à Universidade de Eudoxia, sediada em Guwahati (Assam, Índia) para ser keynote speaker. Até então eu não os conhecia. Eles adoraram a palestra e o tema abordado. Fui, então, premiada como ‘inspirational keynote speaker’ e comecei a participar de vários eventos e webinars organizados por eles.
Antes mesmo de ir fisicamente à Índia, tive projeções lúcidas que me levaram a Guwahati (Nordeste da Índia), antecipando o encontro que depois se materializou. Tive ainda diálogos transmentais com amparadores a respeito do visto para entrada na Índia, que poderia não sair a tempo, até que, por fim, foi liberado.
A estadia na Índia teve um significado muito especial. Fui convidada para participar da cerimônia de premiação da Universidade de Eudoxia (Golden Fellow Award) e acabei recebendo um prêmio pelo livro. Como extras, realizei uma ação educacional com crianças, aplicando a Escala de Inteligência Existencial para Crianças em salas de aula, em Guwahati, e visitei o Instituto de Enfermagem local tendo uma conversa agradável com a vice-diretora e sua equipe.

Além disso, o propósito maior foi promover o intercâmbio cultural e acadêmico: levei exemplares do meu livro e dois livros de duas colegas da Conscienciologia (Marlene Roque e Luimara Schmit) para doação, participei de diálogos com pesquisadores locais e também vivenciei experiências culturais profundas, como visitar templos históricos e universidades indianas. O objetivo foi não apenas divulgar o conceito de Inteligência Existencial, mas também fortalecer laços de cooperação internacional e inspirar crianças e educadores a refletirem sobre propósito e sentido em suas vidas.
Em Guwahati, fiquei hospedada na casa de uma família indiana que tenho como mãe e irmãs espirituais. Minha vivência cultural foi extremamente profunda e típica e fui muito bem acolhida por essas pessoas.

A partir dessa ponte, novas portas se abriram: entrevistas em rádio na África (Angola), parcerias com italianos e americanos, coedição de revista acadêmica, participação semanal em conferências internacionais. O livro foi se tornando mais do que um produto individual. Tornou-se plataforma de interconexão consciencial, catalisando encontros, ideias e laços intercontinentais.
Estou preparando a divulgação das versões em português e hindi do livro, que serão lançadas em breve, e também participarei da Feira do Livro de Frankfurt em outubro de 2025. Minha expectativa é ampliar ainda mais o alcance do tema, levando a Inteligência Existencial para diferentes contextos educacionais, culturais e acadêmicos. Acredito que esse é um tema que dialoga com questões universais da humanidade e pode oferecer ferramentas valiosas para tempos de rápidas transformações.
Se pudesse resumir o processo, diria que os bastidores da obra foram uma verdadeira série de sincronicidades entre fatos e parafatos. Escrevê-lo significou revisitar dores, atravessar crises, mas também confirmar a força da inspiração extrafísica quando nos alinhamos a um propósito cosmoético. Sinto que cada página foi amparada, e que a obra é menos sobre mim e mais sobre a coletividade que represento ao abrir espaço para a Inteligência Existencial no debate científico e conscienciológico.
O que ficou, acima de tudo, foi a certeza de que escrever pode ser uma tarefa multidimensional. E que registrar essas memórias não é apenas honrar um percurso, mas também deixar rastros úteis para quem, no futuro, decidir abraçar a própria proéxis literária com apoio da multidimensionalidade.



Para saber mais acesse:
Autora: Flávia Ceccato
Organizadora: Cristina Bornia
Foto e vídeo: acervo Flávia Ceccato
Expediente: Edição 265 - Setembro e Outubro de 2025
Jornalista responsável: Amaury Pontieri – MTB nº 23.154-SP
Coordenação: Leonardo Ribeiro
Secretária e Editora: Cristina Bornia
Redatores de conteúdo: Cecilia Roma, Cristina Bornia, Sónia Luginger e Leonardo Ribeiro
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