O curso Vivências Parapsíquicas II, promovido pela ASSIPI, teve início em 22 de agosto de 2025, com turmas no formato híbrido, presencial e online. O curso é ministrado pelo pesquisador e professor Ulisses Schlosser, autor do Dicionário Neológico de Parafenomenologia, cuja proposta teática é orientada para desenvolvimento do autoparapsiquismo lúcido e da projeção de autoconsciência contínua.
Ulisses Schlosser é psicólogo, voluntário da Associação Internacional de Parapsiquismo Interassistencial (ASSIPI) e do Instituto Internacional de Projeciologia e Conscienciologia (IIPC).
Nesta entrevista, Ulisses fala sobre a origem do curso, a metodologia aplicada e os resultados observados nas primeiras turmas, além de refletir sobre o papel do parapsiquismo lúcido na evolução consciencial.
Confira a entrevista:
Professor Ulisses, como surgiu a ideia de transformar o conteúdo do Dicionário Neológico de Parafenomenologiaem um curso teático?
Ulisses: Para começo de conversa, esse curso só está sendo possível graças ao sólido trabalho de equipe de voluntários da ASSIPI, e o sentimento de gratidão nos atravessa. O curso derivou de uma solicitação da professora Gláucia Lara, coordenadora da ASSIPI em 2023, a quem devemos enorme gratidão. Ela pediu para que fosse criado um grupo de estudos sobre o Dicionário. Naquela época, eu estava conduzindo a aplicação piloto, com duração de quase um ano, do Programa de Pesquisa do Autoparapsiquismo, baseado no Dicionário, que está sendo projetado para ser realizado pela ASSIPI / CPCONS (Centro de Pesquisas dos Fenômenos da Consciência) em parceria com outros centros de pesquisas.
Esse programa permanece sendo um projeto prioritário para a Conscienciologia, em amadurecimento, para ser realizado em um futuro breve. A atividade teórico-prática era desenvolvida no auditório da ASSIPI, com aproximadamente 10 integrantes do CPCONS. Eu só pensava em desenvolver o protocolo de pesquisa. A Gláucia era uma das participantes do grupo e, diversas vezes, pediu para que eu criasse um grupo de estudos. O ponto era que o protocolo de pesquisa limitava as atividades às exigências do próprio protocolo e vimos como seria bom se fizéssemos outra atividade mais dedicada aos interesses das pessoas sobre o Dicionário. E foi assim que criamos o Vivências Parapsíquicas II: Grupo de Estudos e Práticas do Dicionário Neológico de Parafenomenologia.
De fato, é um grupo de estudos. Para ser oferecido como produto da ASSIPI, seguimos a sugestão da nossa Coordenadora de Eventos, a professora Elilma Souza, e divulgamos como curso chamado Vivências Parapsíquicas II, porque uma edição anterior foi baseada no livro História do Parapsiquismo. Ficam aqui os agradecimentos a Gláucia e a Elilma pela co-gestação do curso que, na verdade, continua sendo um grupo de estudos. O Dicionário já foi escrito para ser posto em prática em protocolo de pesquisa, ele já é praticamente esse roteiro, bastando fazer alguns ajustes. No grupo de estudos, aplicamos o mesmo protocolo, com a diferença de o trabalho ser bem mais flexibilizado, com o foco no aprendizado de parafenômenos pelas pessoas.
No programa de pesquisa o mote está na pergunta: “É possível aprender parafenômenos?” No grupo de estudos o foco está “na qualidade da aprendizagem dos parafenômenos”. Isso sendo feito com inovações na didática projeciológica e parapsíquica, com a aplicação, na íntegra, de todo o conteúdo do Dicionário, que são, basicamente, centenas de fundamentos e técnicas originalíssimos em Projeciologia e Parapsiquismologia, lembrando que o Dicionário possui 306 entradas neológicas e a maioria delas compõem procedimentos práticos.

Fale mais sobre o curso. Quais seriam, na sua visão, os principais ganhos para o aluno?
Ulisses: Aprendizado real em parapsiquismo e Projeciologia requer tempo para reciclagens e transformação de estruturas holossomáticas. Cursos modulares de finais de semana não propiciam, de fato, essa condição transformadora. Inovamos com uma atividade de duração mínima de dois anos e as pessoas entenderam a proposta. Estamos com mais de 100 participantes e o grupo ainda continua aumentando. Temos conteúdo para isso. As pessoas sabem que há um livro fundamentado na base da proposta de trabalho. Começa por aí. Ainda nem divulgamos a atividade adequadamente e já passamos da metade da nossa capacidade de atendimento.
Fizemos um projeto extremamente ousado para o grupo de estudos e está tendo sucesso em praticamente tudo. Os principais ganhos para os participantes me parece que é o contato com as inovações de paratecnológicas e conhecimentos extrafísicos. Para mensurar os resultados temos utilizado um parâmetro que chamamos de “novas conquistas”, ou seja, experiências parafenomenológicas e conscienciais inéditas alcançadas no curso. Nosso trabalho agora tem sido colecionar essas “novas conquistas” obtidas pelos participantes. Nesse aspecto, temos observado o sinergismo de valores mútuos, entre os participantes e a equipe extrafísica, principalmente entre os participantes que já leram o Dicionário antes mesmo do curso. Temos muito a agradecer à ASSIPI, principalmente pelo holopensene instalado a partir do trabalho do professor Mario Oliveira, da Gláucia Lara e do Rodrigo Marchioli. Nesse sentido, às vezes, imagino que se esse projeto fosse apresentado em outros locais, talvez dissessem que teria tudo para dar errado. Mas encontramos um ambiente de confiança na ASSIPI e está dando certo. Por trás disso, há uma estrutura feita para atender interesses assistenciais dos amparadores extrafísicos e as necessidades dos participantes.
Como a metodologia desenvolvida pelo senhor favorece o autodiagnóstico e o autoprognóstico dos travões parapsíquicos? Poderia nos dar um exemplo prático dessa aplicação?
Ulisses: Basicamente, os principais benefícios ocorrem em torno da pesquisa do componente da atividade no parapsiquismo. A noção original de parapsiquismo trazida pelo professor Waldo Vieira inclui dois componentes: passividade e atividade. Desse modo, há muita diferença em relação ao mediunismo tradicional. Nossa pesquisa ocorre principalmente sobre o componente ativo. A pergunta é: O que o sensitivo pode fazer no fluxo da experiência parapsíquica de modo a favorecer o rendimento com o amparador extrafísico? Isso não é animismo. São os atos de natureza parafisiológica da conscin, promovidos a partir da pré-existência do fenômeno parapsíquico deflagrado juntamente com o amparador. Desse modo, a conscin aprende a não ser passiva e descobre uma enormidade de possibilidades de contribuir com os amparadores. A maioria desses atos são de natureza processual e não de natureza produtiva ou de intervenção no conteúdo. Chamamos isso de pesquisa da atividade parapsíquica, dos atos facilitadores do parapsiquismo. Seguindo essa orientação, os participantes tornam-se mais ativos e podem aprender recursos para superar travões e lacunas que, em alguns casos, já duravam muito tempo. Obviamente, muito esforço é necessário. Mas, com a Metodologia Parafenomenológica, agora há um protocolo a seguir e com centenas de novos procedimentos detalhados a serem testados. A novidade está na grande quantidade de detalhamentos da parafisiologia traduzidos e procedimentos a serem colocados em prática e testados pelos participantes. Isso resulta em muitos experimentos concretos e chances de “novas conquistas”.
Como exemplo prático, é comum várias pessoas tentarem mobilizar energias conscienciais e não alcançarem resultados esperados e até mesmo terem experiências projetivas abortadas. Isso ocorre, basicamente, porque os comandos costumam ser emitidos a partir de estímulos predominantemente cerebrais e, desse modo, a descoincidência entre os veículos de manifestação não progride e até regride. Se os comandos para os atos parapsíquicos são feitos a partir de comandos cerebrais, tende a não dar certo. Muitos travões nascem daí. Nesse caso, o primeiro procedimento é ensinar as pessoas a emitirem comandos energéticos com percentuais paracerebrais maiores buscando neutralizar efeitos emocionais de resquícios de traumas e outros fatores. Isso é feito por meio de exercícios repetidos com a progressão do relaxamento psicofisiológico rumo ao entorpecimento físico. O diferencial é que fazemos isso de modo detalhado e progressivo, sabendo o que estamos fazendo. A condução do exercício prático de mobilização energética é bem diferente do que é praticado, em geral, nos cursos de Projeciologia e Parapsiquismologia. O praticante aprende, de modo objetivo, o que é utilizar maior percentual do paracérebro. Em termos práticos, corresponde a contribuir para saber entrar em transe parapsíquico, ampliando muito a cooperação com os amparadores. Esse é apenas um exemplo. O Dicionário traz dezenas de novos procedimentos projetivos e parapsíquicos.
Poderia dar exemplos dos parafenômenos trabalhados no curso e dos exercícios propostos para atingi-los?
Ulisses: Ao longo do curso, trabalhamos apenas com dois parafenômenos básicos: (1) o entorpecimento físico, equivalente à catalepsia projetiva, e (2) a clarividência da dimener, da dimensão energética. Para esses dois parafenômenos, desenvolvemos dezenas de procedimentos, e esses procedimentos podem depois ser aplicados livremente pelos participantes em suas vidas. A relaxação psicofisiológica e o domínio energético compõem esse percurso e são praticados com abordagens incomuns e muito variadas. Diversos outros parafenômenos poderiam ser exercitados, mas o eixo escolhido está centrado nos dois citados acima. Nossa escolha é pesquisar parafenômenos simples, com metodologia poderosa, em vez de sistematizar a pesquisa de parafenômenos complexos e avançados, com metodologia defeituosa ou insuficiente. Importam os procedimentos aprendidos, que são, na verdade, da categoria de aplicação geral, ou Teoria Geral do Método em Projeciologia e Parapsiquismologia, ou seja, servem para muitos outros parafenômenos. Em outras palavras, isto é a Metodologia Parafenomenológica.
Na sua experiência, quais são os principais equívocos, ou mitos, que as pessoas ainda têm sobre o desenvolvimento parapsíquico lúcido?
Ulisses: Esses problemas estão listados no Dicionário entre as páginas 56 e 59. Por exemplo: (1) As confusões entre parapsiquismo e mediunidade. São os resquícios da cultura mediúnica. Assim o sensitivo não se desenvolve bem no componente ativo e dá muito trabalho para os amparadores mais técnicos. (2) As contaminações da parapercepção pela imagística. Sem saber discernir a diferença, o incauto assume, equivocadamente, a auto-imaginação, desconhecida e poderosa, como sendo a realidade. A imaginação é necessária na dimensão do psicossoma. Tudo que é visto por lá é plasmado pela imagística, mas o problema é não saber discernir o que é produto da própria imaginação e o que é fruto da parapercepção. No intrafísico, em geral, isso é bastante difícil. Quem não entende isso erra muito. Construir ‘realidade’ é diferente de perceber realidade. (3) O equívoco de ficar apenas no componente passivo do parapsiquismo, negando os desenvolvimentos ativos. É necessário aprender a operar o parapsiquismo. Um bom sensitivo pode ser muito melhor se souber fazer isso. Nosso melhor exemplo foi o professor Waldo Vieira. Ele chegava a dizer que nosso discernimento pode se elevar a ponto de dar o contra no amparador se necessário. (4) Deixar de empreender autorreverificações e ficar apenas nas heterorreverificações dos parafenômenos. (5) Alimentar inibições e ocultações de métodos e deixar de discutir sobre as parapercepções e a ciência parapsíquica. (6) Confiar em vez de certificar-se. É preciso substituir a confiança pelo hábito da autocertificação. Chamamos isso de “certificança”.
O curso oferece assessorias com o senhor. Que tipo de aprofundamento essas sessões proporcionam e como elas se integram à dinâmica das aulas coletivas?
Ulisses: A ideia da assessoria é atender à necessidade individual nas questões conceituais e no aprofundamento prático de acordo com a demanda trazida pela pessoa. Vamos atender, em sessão prevista para duas horas, de acordo com a solicitação de cada participante da modalidade da inscrição integral. Na modalidade básica, não há a oferta desse tipo de assessoria. Apesar de haver muitos inscritos na modalidade integral, as assessorias ainda não foram solicitadas. Será uma experiência nova para todos nós.
Pela sua natureza, o natural seria que o curso fosse oferecido apenas na modalidade presencial. O que motivou a escolha pela modalidade híbrida e quais têm sido os efeitos?
Ulisses: No desenho inicial do curso, nossa intenção era de fazer apenas presencial, em função do nosso entendimento sobre o rendimento presencial no campo parapsíquico. Mudamos de ideia depois de ouvir várias solicitações incluindo relatos de rendimento paraperceptivo na participação online. A participação online democratiza o acesso à informação e o resultado nas práticas parapsíquicas depende principalmente da vinculação do participante ao amparador. Alguns participantes online têm apresentado ótimos resultados com a equipe extrafísica, a ponto de me surpreender um pouco. Isso tem acontecido mais com as pessoas que já estudaram o Dicionário antes do curso. Mesmo assim, considero a participação presencial insubstituível.
Quais fatores têm contribuído, de modo mais efetivo, para o sucesso do curso?
Ulisses: De modo bem objetivo vejo dois aspectos: (1) o fato de o curso ser estruturado sobre um livro feito para esta finalidade e (2) a qualidade da equipe de voluntários. Verdadeiras forças de natureza consciencial estão mobilizando o trabalho: a Coordenação de Eventos da ASSIPI, na pessoa da professora Elilma Souza, com muita energia, possibilitou a estruturação do curso de modo altamente eficiente; o movimento desassediador da nossa assessora executiva Ana Paula de Souza, que, atuando a partir da Alemanha, além de ter criado o material de divulgação, edita todo o registro em vídeo, agenda entrevistas com os participantes e muito mais; a Coordenação de Voluntariado da ASSIPI, na pessoa da professora Auta Prates, que atua com uma energia super acolhedora para conectar os participantes. A equipe de monitoria, por sua vez, está cada vez mais envolvida na sustentação do trabalho e no aproveitamento do curso. Aí estão Bernadete Spironello, Cintia Vital, Denny Vital, Dulcilene Vasques, Geraldo Dias, Iara Silva, Janaína Benedito, Roberto Coutinho e Vera Maciel. Enorme gratidão a todas e todos e a equipe continua crescendo!
O Dicionário de Parafenomenologiareúne centenas de conceitos e fenômenos. Há algum fenômeno que o senhor considera especialmente estratégico para o momento evolutivo atual da humanidade?
Ulisses: Uma pergunta que pareceria difícil de responder. Mas não tenho dúvida sobre a importância da projeção de autoconsciência contínua para fora do corpo humano. Para mim, também está claro que alcançar este parafenômeno é questão de prioridade da pessoa. É possível para qualquer pessoa determinada. Obviamente, muito mais difícil é manter a qualidade da auto-organização da vida humana para este tipo de projeção ir além de uma única experiência e se sustentar de modo cosmoético e interassistencial. Não tenho dúvida que este é o parafenômeno divisor de águas a ser estabilizado. Em seguida, surgem as expansões de consciência auto-induzidas e as retrocognições esclarecedoras da multiexistencialidade. Concordo com o professor Waldo Vieira quando ele indica a projeção de autoconsciência contínua como etapa para alcançar as expansões maiores de consciência e a cosmoconsciência. As retrocognições mais consistentes surgem a partir daí. Antes disso, a autoconsciencialidade ainda parece ser muito fragmentada.
Quais são os próximos passos da pesquisa ou futuras iniciativas derivadas dessa metodologia? Há planos para novas edições do curso ou publicações complementares?
Ulisses: A etapa imediata seguinte será um curso, de fato, totalmente prático, reunindo os procedimentos de maior rendimento. No momento, trata-se de um grupo de estudos teórico-prático seguindo a leitura do livro. Depois desses dois empreendimentos, com essas experiências, acho que teremos condições para publicar o próximo livro, intitulado Programa de Pesquisa em Projeciologia, já bastante adiantado, e realizar um experimento formal, uma pesquisa de fato em parceria com outros centros de pesquisas, preferivelmente, de fora da CCCI, para buscar elevar o status científico para uma coletividade maior. Há intermissivistas espalhados pelo mundo e a consistência dos novos achados para a aprendizagem de parafenômenos talvez possa ajudar amparadores extrafísicos e conscins nesse processo. O plano inicial é não repetir esse curso especificamente, mas talvez algumas outras instituições se interessem por essa nova proposta parapedagógica e queiram empreendê-la. Trata-se de um modo diferente de introduzir a prática de fenômenos parapsíquicos e projetivos. Os resultados falarão por si.
Olhando para o futuro da Conscienciologia e das pesquisas parapsíquicas, quais avanços o senhor considera prioritários para as próximas décadas?
Ulisses: Desenvolver as atividades de aprendizagem parapsíquica e projetiva juntamente com amparadores semimaterializados. Há esperança de isso ser alcançado já no atual curso na ASSIPI. As projeções de autoconsciência contínua em grupo constituem outra perspectiva possível com organização e priorização. De modo geral, esforços assim certamente podem levar ao exercício parapsíquico com tendência muito mais ajustada à realidade multidimensional e propiciar encontros de pessoas com melhor nível de expansão de consciência. O nível de informação multidimensional poderia alcançar estabilidade em nível mais alto de interassistência, cosmoética e projetabilidade, e com melhor equilíbrio entre equipins e equipexes. Superando qualquer maquiagem, seria como se no futuro tivéssemos alguns Waldos Vieiras trabalhando juntos.
Para saber mais acesse:
Entrevistadores: Cristina Bornia e Mauro Torres
Entrevistado: Ulisses Schlosser
Foto e vídeo: Denny Vital
Expediente: Edição 267 - Janeiro e Fevereiro de 2026
Jornalista responsável: Amaury Pontieri – MTB nº 23.154-SP
Coordenação: Leonardo Ribeiro
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