No dia 30 de agosto de 2025, um sábado, voluntários do Discernimentum, da IC Paraecologicus e da Comunicons estiveram na Aldeia Arapy, localizada a poucos quilômetros do Centro de Altos Estudos da Conscienciologia (CEAEC). A visita promoveu um rico intercâmbio entre conscienciólogos e povos originários fortalecendo laços de convivência e aprendizado mútuo. Para revelar os bastidores e os significados desse encontro, o Jornal da Cognópolis conversou com Luciana Ribeiro e Tamara André, ambas da equipe organizadora da atividade. Confira:
Jornal da Cognópolis: Pode nos contar um pouco sobre a história da Aldeia Arapy e como ela se formou ao longo dos anos?
A aldeia Arapy está estabelecida na Rua Iguaraçu, em Foz do Iguaçu, onde vivem, há cerca de três anos, 24 famílias de indígenas Avá-Guarani oriundas da aldeia Ocoy, localizada em São Miguel do Iguaçu. A Associação Arapy, a Pastoral Indigenista e o Centro de Direitos Humanos e Memória Popular de Foz do Iguaçu, participando das reuniões da Comissão de Conflitos Fundiários do Tribunal de Justiça Federal da quarta região e do Tribunal de Justiça do Paraná, contribuíram para incluir a área na compra de terras, pela Itaipu, no âmbito da Ação Civil Originária que visa a reparação pelo alagamento das terras indígenas decorrente da construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu.
Jornal da Cognópolis: Como a comunidade se organiza para manter a cultura viva e transmitir conhecimentos para visitantes e gerações futuras?
Por meio da Associação Arapy produzem e vendem artesanato, praticam a religiosidade na casa de rezas e têm um coral que apresenta canções em Guarani.
Jornal da Cognópolis: Que práticas cotidianas refletem a ligação da aldeia com a natureza e o meio ambiente?
A ligação da aldeia com a natureza e o meio ambiente se expressa, de forma muito concreta, no cuidado cotidiano com a terra, especialmente por meio do cultivo da horta e das ervas medicinais. Essas práticas, realizadas em harmonia com o entorno natural, refletem não apenas a subsistência, mas também um modo de vida integrado à floresta, no qual o conhecimento tradicional, o respeito aos ciclos naturais e o uso consciente dos recursos reforçam a conexão profunda da comunidade com o ambiente.
Jornal da Cognópolis: Como é a organização social e espacial e sua vida cotidiana?
Eles vivem em famílias, cultivam uma horta, reúnem-se na casa de rezas, fazem rodas de conversas e têm espaço de convivência. As crianças estudam no bairro, em escolas do município e do estado, e muitos dos adultos trabalham fora. A liderança é exercida pelo Cacique e o vice-cacique. O líder religioso é o Xamoi.
Jornal da Cognópolis: Como surgiu a ideia da visita à Aldeia Arapy?
A visita à Aldeia Arapy surgiu a partir de sincronicidades ligadas ao projeto de revitalização da trilha Via Forestalis, no Discernimentum, iniciado em 2021, e da percepção de que, além dos marcos materiais que representam a presença de imigrantes europeus na região, como a Torre do Relógio e a Casa de Cultura Bubiak, era necessário dar visibilidade também à memória histórica dos povos guaranis, presentes no território iguaçuense há mais de dois mil anos. Assim, o objetivo principal da atividade foi promover um diálogo direto com a comunidade indígena, buscando compreender como eles próprios gostariam de ser representados na trilha, garantindo uma homenagem mais autêntica, respeitosa e alinhada à sua cultura.
Jornal da Cognópolis: Que aspectos mais marcaram o grupo durante o contato com a comunidade indígena?
A experiência junto à comunidade indígena foi especialmente marcante pelo clima de acolhimento e pela riqueza das trocas vivenciadas. A comitiva levou, como gesto de contribuição, mudas de árvores frutíferas, materiais escolares e brinquedos, recebidos com entusiasmo pelas crianças que nos envolveram com cantos, danças e narrativas. Em contrapartida, os representantes da aldeia compartilharam conhecimentos importantes de sua cultura, como o uso de plantas medicinais, as formas de educar os jovens e a profunda relação com a natureza, também expressa por meio da música. Essa convivência possibilitou um intercâmbio significativo entre saberes tradicionais e perspectivas conscienciológicas atuais, reforçando a interculturalidade como via de aprendizado mútuo e promoção da pacificação.


Para saber mais acesse:
Entrevistadora: Cristina Bornia
Entrevistadas: Luciana Ribeiro e Tamara André
Foto e vídeo: acervo Discernimentum
Expediente: Edição 264 - Julho e Agosto de 2025
Jornalista responsável: Amaury Pontieri – MTB nº 23.154-SP
Coordenação: Leonardo Ribeiro
Secretária e Editora: Cristina Bornia
Redatores de conteúdo: Cecilia Roma, Cristina Bornia, Sónia Luginger e Leonardo Ribeiro
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